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Cataguases

Região das artes

História e Palavra do Prefeito

História de Cataguases

 

A decadência do ouro na região mineradora ao redor de Vila Rica levou os mineiros a procurarem novas jazidas. Não escapou nem mesmo as áreas proibidas do Sertão do Leste. Atraídos pelas histórias de faiscadores, muitos aventureiros chegaram pela cabeceira do Rio Pomba e ribeirão Meia Pataca a este promissor vale da Zona da Mata.

Por volta de 1809, na margem esquerda do Rio Pomba, próximo ao ribeirão do Meio Pataca, foi instalado um aquartelamento com o nome de Porto dos Diamantes, que tinha como objetivo, evitar o contrabando de ouro e pedras preciosas.

Em maio de 1828, chegou ao Porto de Diamantes o francês Guido Thomas Marliére, comandante das divisões militares do Rio Doce. Guido, que também era Inspetor de estradas de Minas Gerais, percorria a estrada que ligava Campos dos Goitacazes, Rio de Janeiro à Presídio de São João Batista, atual Visconde do Rio Branco, Minas Gerais. Caminho que já existia desde 1811 denominado, Caminho do Pomba.

Por determinação do governo mineiro, Guido recebeu do Sargento Ordenança, Henrique José de Azevedo, administrador e comandante do Porto de Diamantes, a doação de terrenos destinados à fundação de um núcleo de povoamento e a instalação de uma capela, sobre a proteção de Santa Rita de Cássia. Guido, fez uma planta do arraial, traçou as primeiras ruas, praças e outros locais públicos. O traçado tinha como base a estrada que por aqui passava. A partir do solene ato de assinatura de um documento em 26 de maio de 1828, o local passou a ser denominado de Arraial de Santa Rita do Meia Pataca.

O Arraial floresceu e muitos colonos vieram. O desenvolvimento foi tão grande que em treze anos o Arraial foi elevado a Curato, por uma Lei Provincial. Lei n° 209 de 07 de abril de 1841. O Curato de Santa Rita da Meia Pataca, foi nesta data anexado à Freguesia de São Januário de Ubá.
Um ano depois chegou a Santa Rita do Meia Pataca,  Major Joaquim Vieira da Silva Pinto, com toda a sua família, vindo de Lagoa Dourada, atual Município de Prados. Aqui ele fundou a fazenda Nossa Senhora da Glória em uma área de 3.000 alqueires. A produção da fazenda e mais o prestígio político da família Vieira, trouxe maior desenvolvimento para o Curato.

Mais uma vez uma Lei provincial eleva Meia Pataca, agora de Curato à Freguesia. Lei n° 534 de 10 de outubro de 1851. A Lei ainda anexou a esta Freguesia os Curatos de São Francisco de Assis do Capivara, hoje Palma e Nossa Senhora da Conceição do Laranjal, hoje Laranjal.

Muitas anexações e desmembramentos ocorreram até que a Lei 2.180 de 25 de novembro de 1865, que aprovou a criação do Município de Cataguases. Esta foi uma das enumeras propostas do deputado provincial José Vieira de Resende e Silva, filho do Major Vieira. Apesar da aprovação nessa data, a instalação do Município só se deu em 07 de setembro de 1877.  Assim, Meia Pataca, Passou a ser denominada de “Cataguases”, que já contava com 450 habitantes em sua sede.

Na mesma cerimônia de instalação do Município foi inaugurada a Estação Ferroviária, uma das obras de arte do primeiro trecho da Companhia Estrada de Ferro Leopoldina. O capital gerado pela produção do café atraiu a construção da ferrovia, que por sua vez intensificou o comércio e o desenvolvimento. Juntos fomentaram o surgimento vários prédios de arquitetura neoclássica. O primeiro ciclo cultural arquitetônico que se diferenciava do estilo colonial.

Os ricos produtores e comerciantes de café passaram a diversificar seus negócios e investiram maciçamente na indústria. Inicialmente no ramo têxtil, com a companhia de Fiação e Tecelagem de Cataguases. Na energia elétrica com a criação da Companhia Força e Luz Cataguases Leopoldina. A partir daí o setor industrial não parou de crescer e se diversificar.

Cataguases entrou no séc XX, sendo considerada, juntamente com a cidade de Belo Horizonte e de São Paulo, um dos centros culturais de referência da vanguarda nacional.

Paralelamente a realização da semana de arte moderna, em 1922, o modernismo invadia Cataguases, inicialmente com a literatura e cinema. Na literatura podemos destacar os grandes escritores que ainda estudantes, criaram um movimento literário que resultou na Revista Verde. O no cinema, Humberto Mauro, criou a Phebo Sul América Film e a Phebo Brasil Film, pioneiras no ramo cinematográfico no Brasil.

Na segunda onda do modernismo vieram a arquitetura, escultura, pintura e música. No final da década de 40, foi introduzido em nosso espaço urbano, um dos primeiros projetos residenciais elaborado por Oscar Niemeyer entre outros. Pela cidade espalharam-se painéis, jardins e monumentos assinados por artistas consagrados como: Cândido Portinari, Burle Marx, Jan Zach, Djanira, Bologna entre outros.

Esse conjunto de obras está bem conservado e pode ser apreciado por quem visita a cidade. Apesar de toda a inovação do séc XXI que está sendo introduzida em nosso Município, conservamos bem o nosso patrimônio.

Nesse sentido as tradições populares como Folia de Reis, Boi-lé, Bate-Pau e Charolas, não foram esquecidas, muito pelo contrário, a cidade que tem na sua base social a classe operária urbana, mantém até nossos dias tais tradições.

Ricardo Quinteiro de Mattos – Pesquisador

Palavra do Prefeito