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Conceição do Mato Dentro

Região das histórias

Publicada em: 12 de setembro de 2018

Preservando o patrimônio: obra de revitalização do chafariz da praça Dom Joaquim está na fase final


PRESERVANDO O PATRIMÔNIO

OBRA DE REVITALIZAÇÃO DO CHAFARIZ DA PRAÇA DOM JOAQUIM ESTÁ NA FASE FINAL

CMD, TERÇA-FEIRA 11.09.2018 - Quando começaram os trabalhos de restauração do chafariz da praça Dom Joaquim, no centro de Conceição do Mato Dentro, descobriu-se que a escultura de quase 300 anos em referência à Independência do Brasil, e homenageando os índios, guardava ainda mais histórias e riquezas debaixo de remendos de concreto e da degradação humana.

A restauração iniciada no final do ano passado teve de ser suspensa por um período para atender à demanda de mais informações pelo Instituto Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), já que se trata de um bem tombado. Mas os trabalhos já foram retomados e a expectativa é que sejam concluídos em dezembro. “Será um grande presente para Conceição do Mato Dentro no mês do seu aniversário”, declara a secretária Municipal de Cultura e Patrimônio Histórico, Silvana Lages.

A decisão de fazer a restauração do chafariz partiu do prefeito Zé Fernando, atendendo a uma demanda do Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural. Estão sendo investidos R$ 131 mil de recursos oriundos do ICMS Cultural. Além da recuperação total do chafariz, a praça Dom Joaquim também será revitalizada. A realização da obra de restauração está acompanhada de uma ação educativa com a população, principalmente os estudantes, sobre a importância do chafariz e da sua conservação.

CIMENTO ENCOBRIA PISO ORIGINAL DE QUARTZITO

O canteiro Edniz José Reis, que trabalha na restauração, conta que, debaixo do piso de cimento, detectaram que o fundo original do chafariz era de quartzito. Já as esculturas foram erguidas em pedra sabão. O primeiro desafio foi encontrar na região essas pedras na tonalidade mais próxima possível do monumento para serem utilizadas na restauração. Foi preciso refazer vários membros das esculturas indígenas, um trabalho minucioso realizado primeiro com moldes de resina para posterior confecção em pedra. “Este chafariz é um monumento único, de beleza de detalhes e na homenagem aos índios”, declarou Edniz. A restauração acontece cercada por tapumes na praça Dom Joaquim, mas os trabalhos já estão bastante adiantados. A empresa vencedora do processo de licitação e responsável pela obra é a Cantaria Conservação e Restauro, mesma empresa responsável pelos trabalhos na Matriz de Nossa Senhora da Conceição.

ANGELO OSWALDO DESTACA IMPORTÂNCIA HISTÓRICA DO MONUMENTO

O secretário de Estado da Cultura, Angelo Oswaldo, ressalta a importância nacional do chafariz de Conceição do Mato Dentro. Segundo ele, o monumento faz referências à Independência do Brasil como um ícone urbano. “É muito raro encontrar um monumento de época que faça referência expressa à Independência. Esta homenagem à autonomia da Pindorama é feita por meio da figura do índio, enfatizando o sentimento nacionalista, já que o Império tinha o índio como ícone da brasilidade por ser um elemento inativo”, declarou.

DEPOIMENTO

“A restauração do chafariz é mais uma iniciativa marcante do prefeito Zé Fernando de preservar e valorizar o patrimônio. Estamos nos aproximando do bicentenário da Independência (7 de setembro de 2022) e o chafariz certamente será um monumento valorizado nas comemorações dessa história.”

Angelo Oswaldo, secretário de Estado da Cultura

HISTÓRIA

O chafariz da praça Dom Joaquim foi construído por iniciativa do cônego Bento Alves Gondim e do comendador Joaquim Bento Ferreira Carneiro. O monumento foi inaugurado em 22 de abril de 1825 – “Quarto da Independência” – como se lê em inscrição gravada na sua base, vindo a substituir o velho pelourinho que ali existia desde 1719. O projeto e a execução da escultura couberam ao mestre José Caetano. A estrutura do chafariz se constitui de uma coluna com cerca de 3,30m de altura, torneada em duas partes. Na inferior, estão quatro carrancas em figura de vulto, sustentando com as costas o pedestal onde se assenta um “guerreiro guarani”. As carrancas, medindo cada uma 0,57m, são figuras nuas, suspensas no ar e abrindo a boca com ambas as mãos, por onde jorrava água. O índio, no alto, mede 0,80m com as mãos na cintura, olhar para o alto, está vestido com pequeno saiote e manto que rasteja até os pés e adornado com colar, brincos de argola e cocar de plumas. O monumento, por seu feitio e originalidade, é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A praça Dom Joaquim, onde está o chafariz, era chamada de praça do Cinamomo e do Coqueiro, em referência à poesia de Alphonsus de Guimarães, que morou em Conceição do Mato Dentro por volta de 1895, onde atuou como juiz da Comarca.

GLOSSÁRIO

Canteiro: profissional que trabalha com a pedra de canto.
Pindorama: terra das Palmeiras, o nome que os nativos chamavam as terras brasileiras
Carranca: escultura com forma humana ou animal,
Cinamomo: nome científico Melia azedarach. Árvore da família do mogno, nativa da Índia