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Diamantina

Região das histórias

História e Palavra do Prefeito

História de Diamantina

 

Corria o ano de 1734 quando a Coroa Portuguesa fez a demarcação do território devido ao grande número de diamantes encontrados nesta região.

Pequenas casas baixas, uma capela dedicada a Santo Antônio e uma população flutuante, caracterizavam a simples sociedade do Arraial do Tijuco. A elevação de arraial à vila, 1831, sob denominação de Diamantina, a flexibilidade da Real Extração na exploração dos diamantes, facilitou uma nova configuração urbana e social da cidade. Nascia assim uma “sociedade plural, heterogênea e múltipla, que era dificilmente dominada pelas autoridades. O espaço da diversidade e do conflito”. Pobres e ricos, negros escravos e forros, autoridades e fora-da-lei, faziam dela um lugar ímpar no norte de Minas Gerais.

As bandeiras paulistas saídas da Vila do Príncipe em 1713, seguiram o curso do Rio Jequitinhonha e na confluência do córrego Piruruca e Rio Grande descobriram grande quantidade de ouro. A área mais rica localizava-se num pequeno afluente do Rio Grande e ali se fixaram os primeiros povoadores, dando origem ao arraial do Tijuco – “que significa barro, na língua dos índios”. Apesar da grande quantidade de ouro, alguns anos depois foram encontrados as primeiras jazidas de diamantes, que eram comercializadas sem o controle da metrópole.

Apenas em 1730, através de Regimento, determinaram-se as primeiras medidas de controle, instituindo-se cobrança do quinto, o lançamento da capitação sobre cada escravo empregado na mineração diamantífera, a anulação das concessões de datas e a proibição da exploração do ouro na região. Assim, a Metrópole passou progressivamente a legislar sobre a região, criando uma administração própria que, sem dúvida, teve uma forte influência na configuração urbano-arquitetônica de Diamantina. Durante 27 anos o Arraial do Tijuco seguiu um curso de ocupação apenas em algumas ruas principais – na época era comum construções seguindo o curso do rio onde eram feitas as minerações - e não foi o que aconteceu no Arraial, como descreve José Augusto Neves: “Segundo sugere a tradição, o arraial do Tijuco só ocupava o circuito que abrange as atuais ruas da Beatas, do Burgalhau e do Espírito Santo, além de um colmado mais distante".

Quando a Coroa Portuguesa descobriu o potencial das jazidas é que foram estabelecidos no arraial do Tijuco os primeiros edifícios que simbolizavam o poder naquela época: a Igreja de Santo Antônio e a Casa da Intendência, o poder religioso e o poder fiscal de Portugal. Em outras vilas e arraiais estas construções serviam de referência na configuração urbana, mas no Tijuco “não favoreceu a formação de um espaço urbano-arquitetônico de coesão e concentração da população”, as casas foram tomando os espaços seguindo as festas religiosas, traçando ruas e vielas conforme suas próprias necessidades.

Com a demarcação, ocorrida em 1934, foi criado o Distrito Diamantino, cuja administração ficava a cargo da Intendência dos Diamantes, órgão diretamente subordinado a Lisboa. O intendente era autoridade soberana na região. Tal fato demonstra a pretensão da coroa portuguesa em manter ao máximo o controle sobre a região, bem como de suas riquezas.

Em 1739, foi criado o sistema de contrato, na qual o direito de exploração das lavras ficava restrito a um Contrator. Foi uma época em que grande  quantidade de diamantes foram explorados. Um dos mais conhecidos contratores foi João Fernandes de Oliveira, celebre por sua imensa fortuna e por manter um romance com a ex-escrava Chica da Silva.

Com receio de que a grande quantidade de Diamantes oriunda do tijuco provocasse a desvalorização do diamante no mercado, o Marques de Pombal, extingue, em 1771, o sistema de contrato. A partir deste momento, a exploração era feita diretamente pela metrópole através da Real Extração. Tal fato representa para o Distrito diamantino e sua população um aumento da repressão por parte da coroa, que impõe rígidas leis a serem vigoradas para a região. Estas leis estavam contidas no regimento diamantino, conhecido como livro da capa verde. Configurava-se assim a transformação do Tijuco em um “estado dentro de outro estado”, e o reforço da supremacia política da Intendência dos diamantes.

A partir de 1830, o Tijuco já não apresentava mais as características somente mineradoras e dividia-se em outras atividades, com uma “economia mercantil de subsistência”. Assim, o arraial vai se estruturando urbanisticamente durante todo o século XIX, por causa das novas prioridades de um centro econômico na região.

Somente em 1831, o arraial, foi elevado à categoria de vila, então os edifícios dos setores públicos demarcaram o centro político-administrativo dando nova característica à urbanização em Diamantina.

Em 1838, o Tijuco é elevado à categoria de cidade. Aos poucos vão se traçando novos contornos, seu centro comercial, seus bairros, suas igrejas e escolas, estabelecendo-se definitivamente como cidade pólo do Norte de Minas Gerais.

Conhecida como Atenas do Norte, Diamantina tornou-se uma referência econômica, social e política. Desde os tempos de Arraial do Tijuco, já existia um grande interesse cultural pelos seus habitantes como observou Saint Hilare, por ocasião de sua visita ao norte de Minas: “encontrei nesta localidade mais instrução que em todo o resto do Brasil, mais gosto pela literatura e um desejo vivo de se instruir”.

Percebe-se com este comentário que desde sempre a cultura foi um dos pilares da sociedade diamantinense, que preserva até hoje nas manifestações artísticas culturais estas raízes.

A cidade de Diamantina, elevada à condição de Patrimônio Cultural da Humanidade em 1999 pela UNESCO, destaca-se por sua exuberante beleza natural que simultânea ao seu conservado e belíssimo casario do século XVIII se traduz em um dos mais autênticos e belos cartões postais de Minas e do Brasil. Junto a esta harmonia perfeita, topografia e monumentos históricos há uma musicalidade que lhe é peculiar, uma série de manifestações artístico-culturais, bem como seu original artesanato que tem, no conjunto de sua cultura, subsidiado com sucesso o fortalecimento da atividade turística em território municipal. Tudo isto aliado a um estilo diamantinense alegre e hospitaleiro vem fazendo da cidade um roteiro turístico para os mais diversificados gostos.

A relação do cidadão com todo esse legado cultural a cada dia se solidifica mais, através de movimentos espontâneos da população e de ações governamentais que visam estreitar esses laços de identificação da população com a cultura legada das gerações anteriores.

A convivência com as manifestações culturais explica a identificação com o patrimônio imaterial da cidade. Um patrimônio de cada cidadão que respeita e preserva suas raízes. Fato é que a musicalidade, uma herança resguardada por séculos, em Diamantina, transpôs durante anos a importância restrita às escolas de música e tornou-se parte integrada ao diamantinense.

A musicalidade, um dos patrimônios desta cidade, está fortemente representada praticamente em todas as suas manifestações culturais. A exemplo disto cita-se a Semana Santa, que tem uma música composta especificamente para a apresentação da guarda romana; a festa do Divino Espírito Santo, tem também uma composição própria para a apresentação do cortejo.
Enfim, Diamantina guarda em seus valores, um patrimônio intrínseco no cotidiano dos seus cidadãos, uma cultura forte e resistente às mudanças sociais que durante todo estes séculos aconteceram.

Acordando agora para a atividade turística, Diamantina mostra-se disposta a valorizar e a expor toda sua cultura, tornando-se assim um destino singular no roteiro turístico brasileiro.

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