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Itabira

Região das riquezas

História e Palavra do Prefeito

História de Itabira

 

1720 tornou-se o ano oficial de constituição do povoado de Itabira, com a chegada dos irmãos Farias de Albernaz de uma expedição saída da região de Itambé do Mato Dentro. No entanto, segundo a historiadora Jussara França (FRANÇA, Jussara.; ANDRADE, Carlos Drummond de.; COSTA, Brás Martins da. No tempo do Mato Dentro. Belo Horizonte, Fundação João Pinheiro/Centro de Estudos Culturais: 1982), esse povoado já era conhecido em 1705. Segundo ela, há um relato do Cônego Raimundo Trindade dizendo que Padre Manoel do Rosário e João Teixeira Ramos descobriram ouro de aluvião nesta região e lá construíram uma pequena capela.

Em torno dessa capela foram se desenvolvendo as primeiras casas dos exploradores de ouro, erguidas nas proximidades do Rio Tanque e do Córrego da Penha. Nessa fase inicial o povoado pouco se desenvolveu devido à pequena quantidade de ouro encontrada em seus cursos d’água.

Somente no final do século XVIII definiram-se os arruamentos de Santana, Rosário (parte da atual Avenida João Soares da Silva) e dos Padres (atual Rua Major Lage). Registra-se, ainda, neste fim de século, a construção da Igreja do Rosário (1775), importante patrimônio histórico do município.

Neste período foram descobertas as lavras de ouro de Conceição, Itabira e Santana e a exigência de técnicas de explorações sofisticadas fez surgir companhias de mineradoras que utilizavam a mão-de-obra escrava. Este segundo ciclo do ouro se estendeu até meados do século XIX.

Nos primeiros anos do século XIX, a decadência dos grandes núcleos de mineração não era sentida pela população de Itabira, pois a cidade atraía habitantes de diversas regiões empobrecidas pelo ciclo do ouro. “A povoação de Itabira se achava numa fase de notável esplendor. Nada aí fazia lembrar esse ar de decadência que aflige o viajante quando percorre os arredores de Vila Rica, ou mesmo quando atravessa as povoações de Inficionados, Camargos e Catas Altas. Havia aí muitas casas lindas de sobrados e construíam-se outras (...)” (SAINT-HILAIRE, Auguste de. Viagem pelas províncias do Rio de Janeiro e Minas Gerais. Belo Horizonte, Itatiaia:1975. 378 p.).

A partir de 1808 foi liberada pela Coroa Portuguesa a manufatura do ferro e, assim, paralelas à exploração aurífera, surgem as primeiras explorações de minério de ferro no município. O isolamento devido à distância e às dificuldades de transporte permitem o desenvolvimento das forjas que, em 1817, somavam 13, fabricando instrumentos de mineração, espingardas e outros objetos. Esta nova atividade foi, aos poucos, substituindo a exploração aurífera que em meados do século XIX começou a escassear.

Com o aumento da população, surgiu a necessidade de construção de um templo maior, ainda em meados do século XIX. De topografia acidentada, o crescimento urbano dava-se nos locais mais próximos das áreas de mineração e nas estradas de acesso ao povoado, dada a sua importância comercial. No encontro das ruas formavam-se largos irregulares e mal alinhados. Os grandes e imponentes sobrados faziam parte da paisagem urbana, assim como as igrejas, chafarizes, hospital e teatro.

Em 1825 o povoado é elevado à categoria de Freguesia. No ano de 1833, a Freguesia tornou-se Vila e, em 1848, recebeu o título de Município, desmembrando-se definitivamente de Caeté, a quem até então respondia administrativamente.

O Município recebeu a denominação de Itabira, nome de origem indígena que significa “pedra que brilha” (Ita – pedra e bira – que brilha) e que se refere ao Pico do Cauê, importante marco geográfico da região.

As manufaturas receberam o grande impulso das indústrias domésticas e de beneficiamento da produção agropecuária a partir da década de 1870. Das 29 fábricas têxteis instaladas em Minas Gerais entre as décadas de 1870 e 1880, duas se encontravam em Itabira: as fábricas da Pedreira e da Gabiroba. Cultivava-se, também, gêneros de primeira necessidade como café e uva para a fabricação de vinho. Com a abolição da escravidão, inúmeros fazendeiros abandonaram a lavoura preferindo dedicar-se à pecuária.

Na primeira metade do século XX, a economia de Itabira sofreu influência da conjuntura econômica internacional e nacional: o Congresso Geológico Internacional de Estocolmo, realizado em 1908, divulgou o potencial ferrífero do Brasil e atraiu o interesse de vários investidores estrangeiros na região. Assim, em 1910, um grupo de ingleses construiu a Itabira Iron Ore Company Limited com a intenção de garantir as reservas de minério e o controle da estrada de ferro que seria construída entre Minas Gerais e Espírito Santo. Com o fim da Primeira Guerra Mundial, o controle da Companhia foi transferido para um grupo de investidores europeus e norte-americanos liderados por Percival Faquhar.

Posteriormente, no governo de Getúlio Vargas, foi criado o Código de Minas que proibia a mineração no Brasil por estrangeiros. Dessa forma, Farquhar estabeleceu sociedade com brasileiros e fundou a Companhia Brasileira de Mineração e Siderurgia. Com a Segunda Guerra Mundial fez-se o acordo de Washington: ingleses cederam as minas, americanos financiaram 14 milhões de dólares, e o Brasil fundou a Companhia Vale do Rio Doce em 1942.

A partir de então, o perfil da cidade se modificou de forma significativa. A criação da estatal Companhia Vale do Rio Doce provocou reordenação social, novo arranjo do espaço físico da cidade e firmou a mineração como a sua principal atividade econômica.

No entanto, o município tem descoberto diversas vocações para o seu desenvolvimento como o Distrito Industrial e o turismo. Esta atividade baseia-se, na sede, na relação do poeta maior Carlos Drummond de Andrade com sua terra natal, Itabira. Eventos e espaços culturais como o Memorial Carlos Drummond de Andrade, a Casa de Drummond e a Fazenda do Pontal fazem parte dos atrativos turísticos que remontam vida e obras do poeta. Nos Distritos de Senhora do Carmo e Ipoema, a atratividade turística deve-se às riquezas naturais e à cultura tropeira neles presentes.

 Distrito de Senhora do Carmo

A história do início do povoamento do Distrito de Senhora do Carmo também se relaciona ao ciclo do ouro em Minas Gerais. A mineração, ainda incipiente, de aluvião, era feita em locais específicos do Rio Tanque, um dos principais cursos d’água da Bacia do Rio Santo Antônio e Doce e que corta todo o Distrito de Senhora do Carmo.

Foram várias as denominações do distrito no passado: Fazenda das Cobras, Andaime, Onça, Carmo de Itabira, Nossa Senhora do Carmo e, por fim, Senhora do Carmo.

Sua história tem início nas primeiras décadas do século XVIII, quando foi concedida Carta Sesmaria da Fazenda das Cobras ao português Chrispim Chrispiniano de Souza Coutinho. Esta denominação de Fazenda das Cobras se deve à grande quantidade de cobras encontradas na região por Chrispin Chrispiniano enquanto ele procurava um local para erguer uma capela. A localidade logo se transformou em uma vila, através das doações de lotes feitas pelo capitão José Luis Machado.

No início do século XVIII havia atividade mineradora nesta região. Extraía-se ouro onde hoje se localiza a sede do distrito e na comunidade de Serra dos Alves, exploravam-se cristais. No entanto, os resultados das explorações auríferas não foram significativos como as ocorridas em Ouro Preto e Mariana.

O Distrito de Senhora do Carmo também serviu como localidade de pouso das bandeiras que vinham de Caeté e de Vila Rica para minerarem ouro no Rio Itambé. Mais tarde essa estrada tornou-se a real de Vila Rica (Ouro Preto), dirigida para o Serro e para Diamantina.

Toda região pertencia a Caeté e a Mariana. Em 1833, com a criação da Câmara da Vila de Itabira, a vila do Onça passou a pertencer a Itabira. No ano de 1891 o Onça passou a ser designado distrito do Carmo de Itabira e em 1923, Nossa Senhora do Carmo. Em 1948 o Distrito recebeu sua denominação atual de Senhora do Carmo.

Atualmente, sua economia baseia-se na agricultura de subsistência e pecuária. Há significativa produção de leite para uma indústria de laticínios local, a CARMOLAC. Esta, além de atender à demanda do mercado interno do município, também fornece laticínios para as demais cidades da região.

Na área rural, as sedes das fazendas ainda conservam a opulência e magnitude das construções do século XIX, com seus moinhos, alambiques, etc. Nesse sentido, destaca-se o Povoado de Serra dos Alves, cujo Conjunto Arquitetônico e Paisagístico de sua sede (tombado pelo patrimônio histórico municipal) conserva suas características arquitetônicas do século XIX e chama a atenção pela disposição de sua capela e pequenas residências no entorno de seu adro.

Senhora do Carmo possui, ainda, um acervo de imaginárias de importância artística e histórica feitas em madeira, barro e papel maché, que se encontram na Capela de São José, no povoado de Serra dos Alves, e em outras capelas e ermidas espalhadas por sua zona rural.

 Distrito de Ipoema

O início do arraial que deu origem ao atual Distrito de Ipoema está relacionado a contratos de compra e venda entre partes: segundo o relato de Padre João de Oliveira, no cartório de Ipoema encontrava-se um livro de notas, do ano de 1892, contendo a Escritura de Compra e Venda entre Ernesto Afonso Guerra, Carlos Afonso Guerra, Augusto Afonso Guerra e José Afonso Guerra (outorgantes) e uma comissão composta por José Dionísio da Costa Lage, Neca Pena e Domingos de Araújo (outorgados). Neste documento havia diversas cláusulas que responsabilizavam a comissão de fundar um arraial no lugar denominado Pouso Alegre (atual Distrito de Ipoema), no distrito de Senhora do Carmo.

As cláusulas também estipulavam que, caso o arraial não fosse fundado dentro do prazo máximo de 3 anos, a propriedade voltaria a pertencer à família Guerra. Segundo a tradição oral, esse documento de compra e venda foi apenas uma formalidade, a fim de evitar que a verdadeira doação não caísse em mãos da igreja católica, dificultando assim, o crescimento do povoado.

Desde a sua criação, o arraial de Pouso Alegre já recebia diversos tropeiros que ali pousavam com freqüência. Ainda segundo a tradição oral, o nome do arraial se devia ao fato de existir um local de pouso desses tropeiros onde residiam várias mulheres que, eventualmente, alegravam a passagem das comitivas pelo arraial.

O distrito também já foi chamado de Santo Afonso da Aliança. De acordo com o livro do Tombo pertencente a paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Ipoema, essa denominação foi uma homenagem à família Afonso, que teria concedido as terras onde foi erguida a primeira capela do vilarejo. No ano de 1943 o vilarejo de Santo Afonso da Aliança passou a se chamar Ipoema, que significa “ave que canta”.

Ipoema foi pouso e local de passagem dos tropeiros, responsáveis por conduzir tropas de burros e mulas carregados de alimentos que abasteciam o Arraial do Tejuco (atual município de Diamantina). Ao sair da região de Itabira, os tropeiros seguiam com suas comitivas rumo ao Rio de Janeiro, para onde eram levadas as riquezas de Minas que logo seguiam para a Europa. Eles também exerciam outras atividades como correio, emissário oficial, transmissor de notícias, intermediador de negócios, aviador de receitas e encomendas e portador de bilhetes e recados.

Eles tinham que ter uma alimentação bem simples, mas que pudesse deixá-los satisfeitos e sem fazerem outras refeições por um bom tempo durante suas viagens. Sua alimentação básica era composta por carne seca, feijão, angu, farinha de mandioca, torresmo e café feito com rapadura. Segundo tradição oral, uma reserva de cachaça servia como remédio ou esquenta-peito nas noites chuvosas.

O tropeirismo teve início com a interiorização do povoamento nos séc. XVIII e XIX quando as minas de ouro foram descobertas e, conseqüentemente, a região começou a ser ocupada necessitando de alimentos e diversos outros produtos para os moradores locais. O tropeirismo foi essencial para a economia da época. Também exerceu significativa influência na colonização de algumas localidades, uma vez que foram os tropeiros os responsáveis surgimento de muitas cidades brasileiras ao fixar moradia por achar um bom lugar para repouso, além de exercer atividades como plantio, criação de gado e comerciais.

Os tropeiros tinham acesso à Capitania das Minas por três caminhos: Caminho Velho, que ligava à São Paulo; Caminho Novo que ia ao Rio de Janeiro e o Caminho dos Currais que acessava à Bahia. Todos esses acessos eram registrados e possuíam postos alfandegários que cobravam e controlavam as taxas de circulação das mercadorias na região. As tropas também exerciam um papel essencial no transporte terrestre de cargas para todas as colônias e regiões mineradoras.

Em 1817, dois exploradores alemães, Spix e Martius, passaram uma noite na região de Ipoema e registram sua passagem por lá: “Depois de Busceda e Duas Pontes, duas choupanas, transpusemos um riacho que nasce de uma jazida de itabirito e conteria grânulos de platina. No dia seguinte, partimos da Fazenda Cabo D’Agosta, passando por uma vegetação luxuriante, pela Fazenda Tanque e um rico engenho de açúcar, em caminho para o pequeno Rio das Onças, que é todo circundado de altas matas. Papagaios e macacos, sobretudo o sagüi-chico, e onças enchiam essas selvas com o seu vozerio” (SPIX e MARTIUS. Viagem pelo Brasil 1817-1820. Tradução Lúcia Furquim Lahmeyer. Belo Horizonte: Itatiaia, São Paulo: Edusp, 1981).

O distrito conserva ainda algumas construções da época de sua fundação, principalmente as sedes de fazendas como a Fazenda da Dona, localizada na entrada do distrito e tombada pelo Patrimônio Histórico Municipal e as igrejas e capelas, como a Matriz de Nossa Senhora da Conceição e a Capela de São José, do Povoado do Turvo. Existem ainda algumas ruas que contém edificações do final do século XIX e início do século XX.

Palavra do Prefeito

 

Itabira é a síntese do privilégio na arte, cultura, história e desenvolvimento social.

O Nosso patrimônio físico tem como símbolo maior os casarões coloniais do chamado centro histórico da cidade. Nesse conjunto, destaca-se a igrejinha de Nossa Senhora do Rosário, uma joia rara de toda a exuberância do rococó mineiro. Esse templo, acima de tudo, revela um apurado gosto pela arte e religiosidade latente. O itabirano sabe que amar a Deus e apreciar o belo são essenciais na natureza humana.

A nossa terra ocupa uma importante página na história de Minas Gerais. Estamos entre as cidades que deram o primeiro sopro vital das alterosas. No final do século XVIII, Itabira recebeu a visita de intrépidos desbravadores paulistas. Os bandeirantes aqui chegaram em busca da atraente riqueza mineral do nosso subsolo. O ouro atraiu esses caçadores de preciosidades. Mas a entranha de nossas montanhas escondia outras surpresas. Quase um século mais tarde a hematita aflorou como o mineral ferroso com o mais elevado teor do planeta. Assim, durante quase meio século, Itabira praticamente sustentou a economia nacional. Ainda hoje o município se mantém como uma das principais províncias minerais do país.

O orgulho maior de nossa gente, porém, se estabelece na cultura. Não sem motivo: afinal, alguns anos viveu nessa terra, mas  principalmente  nasceu aqui o poeta Carlos Drummond de Andrade, um dos ícones da literatura em língua portuguesa.  As nossas ruas, praças, avenidas, igrejas, casarões setecentistas e montanhas estão impregnados de poesias drummondianas. O poeta maior do Brasil, portanto, é um fenômeno onipresente em Itabira.

Mas a natureza daqui também chama a atenção pela diversidade de atrações. A fauna e flora da nossa região rural irradiam belezas e inspiram sensíveis observadores. As cachoeiras e riachos conservam toda a cristalinidade original. E também é bom reverenciar um céu límpido, numa noite repleta de astros.

Vale a pena vir a Itabira e caminhar despretensiosamente pelos caminhos da arte, cultura, tradição e história. Bom encontrar o itabirano, um povo forjado com a tenacidade do ferro e preciosidade do ouro. Sejam bem-vindos. Itabira lhes recebe de braços abertos.

João Izael Querino Coelho
Prefeito de Itabira