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Serro

Região das histórias

História e Palavra do Prefeito

História de Serro

 

O Serro surgiu de um povoado formado no final do século XVIII, seguindo os achados do ouro de aluvião, como várias cidades mineiras que tiveram suas origens vinculadas à mineração. Foi nos depósitos aluvionais às margens de rios e córregos que o ouro aflorou em abundância nas explorações de inicio do século XVIII, como viria também a ser no leito do Jequitinhonha e seus afluentes que, um pouco mais tarde, se dariam as lavras de diamantes nas proximidades de Milho Verde e São Gonçalo do Rio das Pedras.

A região, antes habitat de tribos indígenas que dominavam aqueles sertões, fora encontrada em 1702 por um grupo de exploradores, chefiado pelo paulista Antônio Soares Ferreira, que descobriu as minas de ouro do Ibiti-ruí, que significa morro de ventos frios ou Serro Frio. As cabeceiras do rio Jequitinhonha e seus afluentes manifestaram-se de uma considerável riqueza e logo surgiram, às suas margens, os ranchos de que se originaram os primeiros povoados. Durante a década inicial do século XVIII, os trabalhos se desenvolviam ainda de forma desordenada, registrando-se constantes choques entre mineradores e aventureiros que por ali afluíam em grande número. Esse clima de inquietação e desordens levou as autoridades da capitania à criação, em fevereiro de 1711, do cargo de superintendente das minas de ouro da região, para a qual foi nomeado o sargento-mor Lourenço Carlos Mascarenhas, com a função de manter a ordem e a justiça. Por essa época, o Arraial das Lavras Velhas do Ibiti-ruí, primitivo nome da atual cidade do Serro, já se constituíra no principal núcleo minerador de toda a área.

A abundância do ouro continuava a atrair novas levas de gente, provocando o constante crescimento do arraial, que em 1714 foi elevado à categoria de vila, com a denominação de Vila do Príncipe. Este fato deu à vila grande impulso desenvolvimentista, desmembrando-se do termo da antiga Vila de Sabarabuçu, começando por certo, a essa altura, a ganhar as condições mínimas para uma vida urbana regular, efetivando-se com a instalação do Senado da Câmara. O surgimento de capelas, igrejas e altares se deram em função da forte religiosidade daqueles que chegaram à região para trabalhar na atividade mineradora. Eles trouxeram consigo a tradição religiosa e destinaram parte da féria mineraria a construção destas edificações.

A necessidade de dar-se organização mais efetiva ao sistema judicial na região, de modo a propiciar melhor administração da justiça e resguardar os interesses fiscais e arrecadadores da Coroa portuguesa, determinaria seis anos depois, ou seja, em 1720, a instituição da Comarca do Serro Frio, com sede na Vila do Príncipe, denominação que vinha desde a emancipação do antigo arraial. Vila do Príncipe se torna, assim, não mais apenas um núcleo minerador de forte vitalidade, mas também um importante centro de decisões jurídico-administrativas, exercendo o ouvidor da nova comarca jurisdição sobre um amplo território que abrangia quase todo o norte-nordeste da capitania.

Não obstante as restrições impostas à mineração do ouro em partes da região do Serro Frio após a descoberta dos diamantes instala-se em 1751 na Vila do Príncipe uma Casa de Fundição, para a qual passa a encaminhar-se toda a produção aurífera da extensa comarca. A construção de vários templos, ricamente ornamentados, e de imponentes sobrados residenciais também assinalaria, por sua vez, a fase de preponderância econômica e social alcançada pelo Serro no período colonial.

Em princípios do século XIX, já era franca a decadência da mineração na região do Serro, fato que se aceleraria com o decorrer dos anos. A vila, que continuava a desempenhar papel administrativo de relevo regional como sede de grande comarca.  Por essa época, a antiga Vila do Príncipe, confirmando a tradicional hegemonia na região, assumiria posição política de destaque, com reflexos na vida da província e do império. Foi notável a participação exercida em grandes eventos nacionais por alguns de seus filhos mais ilustres, a exemplo de Teófilo Ottoni, fundador em 1830 do primeiro jornal local, o Sentinela do Serro, de ponderável influencia na opinião pública mineira do tempo, e líder da Revolução Liberal de 1842. Mantinha-se ainda, é certo, alguma atividade de mineração, encorajada pelo governo, mas a ele só se dedicavam àquela altura mineradores de mais posses, que podiam arcar com o alto custo dos serviços de extração, enquanto a maioria dos habitantes passava a empregar-se de preferência na lavoura de subsistência.

Em 1838 foi elevada à categoria de cidade. Entretanto, ao iniciar a era republicana, vários fatores, dentre eles o isolamento da cidade em referência aos novos centros de maior progresso do Estado, acentuaria a estagnação social e econômica do Serro, cuja imagem urbana e arquitetônica chegaria até nossos dias quase intocadas em relação à fisionomia característica dos séculos XVIII e XIX.

SERRO – PATRIMÔNIO DO BRASIL DESDE 1938

Sede de uma das quatro primeiras comarcas da Capitania das Minas Gerais, a antiga Vila do Príncipe, hoje, cidade de Serro, preserva características das vilas setecentistas mineiras. Seu acervo de arquitetura religiosa colonial está entre os mais significativos da região, pela homogeneidade do conjunto e alto nível de qualidade alcançada na ornamentação interna dos templos, sobretudo no que diz respeito à pintura em perspectiva dos forros.

Primeiro município brasileiro a ser tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN, em 1938, ao lado de seu acervo histórico arquitetônico, representado pelos belos monumentos religiosos e notável conjunto de sobrados, o Serro guarda também outro importante aspecto de sua riqueza cultural do passado: as tradições folclóricas e festas religiosas.

Marcado pela presença de rios e serras que determinam sua peculiar topografia, o município é muito procurado pela beleza de sua paisagem. Os visitantes encontram boas alternativas para caminhar, descansar e contemplar a natureza. Belas cachoeiras contemplam a região.

Outra riqueza do Serro é o famoso “Queijo do Serro”, o primeiro produto registrado como Patrimônio Imaterial de Minas Gerais, pelo IEPHA em 2002, inscrito também como Patrimônio Cultural Brasileiro no Livro de Registro dos Ofícios e Modos, pelo IPHAN, em 2008.

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